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Moção de Roberto Quaglia para a realização de um congresso de ficção científica em Gênova

Moção e intervenção no plenário
de Roberto Quaglia


Os dois documentos a seguir constituem a primeira tentativa bem-sucedida, realizada numa grande cidade italiana, de envolver as instituições públicas no compromisso de realizar um importante congresso centrado na ficção científica. Seu autor é Roberto Quaglia, na sua função de Vereador de Gênova. O primeiro documento é constituído pelo seu discurso, pronunciado em 22 de janeiro de 1996 no plenário do Conselho Municipal de Gênova, em apoio à moção por ele próprio apresentada (que obteve a assinatura da maior parte dos grupos do conselho), a qual constitui o segundo documento contido nesta página.


Durante a discussão em plenário, a moção teve de sofrer a supressão dos três primeiros parágrafos de premissas (nos quais são colocadas preto no branco algumas notas problemáticas de Gênova, que bem poucos em Gênova reconhecem ou admitem reconhecer). Sofreu além disso ligeiramente um par de emendas, que deixam aberta a possibilidade, para a junta, de eventualmente não executar o que foi proposto na moção, caso não conseguissem fazê-lo (incrível, mas verdadeiro! é pegar ou largar…). Por fim, foi votada por unanimidade…


A aprovação, por parte do Conselho Municipal de Gênova, de uma moção destinada à organização de um grande congresso sobre o futuro e a ficção científica teve bastante ressonância e comentários positivos de várias partes da Itália e também do exterior. Curiosamente, a imprensa da cidade de Gênova negligenciou particularmente a notícia. Um retorno inusitado e admirável veio, ao contrário, de Bari, onde se chegou inclusive a compor , dedicado à presente moção bem como ao autor da mesma.


Intervenção de Roberto Quaglia (L. Pannella)






Senhor Presidente, senhor Prefeito, colegas…

Hoje estamos aqui reunidos, finalmente, para uma discussão centrada na cultura. Desde quando faço parte deste Conselho, falou-se de muita coisa, mas a palavra «cultura» até agora foi pouco ouvida, e nem sempre a propósito.
Gostaria antes de tudo de me deter por alguns instantes, se me permitem, já para rechear bem os vinte minutos à minha disposição, sobre o importante significado deste vocábulo, de modo que os argumentos que se seguirão, por parte de todos os participantes da discussão, não se prestem a equívocos e confusões.

A IMPORTÂNCIA DA CULTURA

Nós sabemos que a cultura é importante, pois a nossa própria natureza de seres humanos surge da cultura que ao longo dos séculos desenvolvemos. Retirada a cultura, e é bom que isto fique claro, avança no Homem a besta que ele sempre foi, por dezenas de milênios até quando, não muitos milhares de anos atrás, a cultura não o fez emergir do seu inconsciente sobreviver, ou seja, de uma condição dificilmente diferenciável daquela de qualquer outro mamífero superior. Foi este curiosíssimo fenômeno, a cultura, a gerar em nós aquele prodigioso sistema representacional da realidade que chamamos linguagem verbal, o qual nos forneceu, com o tempo, aquele complexo critério de análise relacional dos contextos que tornou possível o gerar-se em nós da consciência humana, tal como hoje a experienciamos. Ah, sim, depois a cultura tornou também possíveis todos os miraculosos prodígios da técnica, mas neste âmbito nos interessa mais a mente do Homem do que as suas consequências materiais.

A CULTURA É O PRINCÍPIO DA EVOLUÇÃO

A cultura é portanto intrinsecamente o princípio mesmo da evolução da vida expresso… eu diria quase «encarnado»… na evolução do Homem. Sem cultura, este plenário seria hoje uma caverna escura e nós estaríamos cambaleando para lá e para cá sem projetos, balbuciando fonemas mal articulados que evocam poucos e confusos significados tribais.
A realidade, tal como a temos por experiência e consciência, é portanto o produto direto da cultura, que nos forneceu os vocábulos e as categorias mentais para distinguir e ordenar e compreender e ter consciência de tudo o que existe, nós inclusive.
Não é então pouca coisa, a cultura, se produziu tudo isso.

A CULTURA QUE VEM DO PASSADO E A CULTURA QUE CRIA O FUTURO

A realidade é gerada pela cultura, mas a cultura gera a realidade. O que quer dizer esta frase? Ela significa que podemos dividir a cultura em duas categorias bem diferentes entre si. A cultura que houve e produziu aquilo que existe e aquilo que somos, e depois a cultura que há agora, que age agora, hic et nunc, a qual produz a nova realidade que marca o prosseguimento da nossa evolução.
São dois aspectos bem diferentes, um do outro.
A cultura que já existe, acumulada pela humanidade em milênios de história, é estável, não muda, está escrita, é conhecida, é reconhecida enquanto tal, é num certo sentido o fóssil da evolução humana, mas é um fóssil ativo, funcionante e funcional, que confere sentido a cada pensamento e ação nossos. Ela é não só útil, mas fundamental para a manutenção da civilização mental e real que herdamos dos nossos antepassados. Ela é a força estabilizadora seja na mente de cada um de nós, seja na nossa organização social, mantém-nos humanos e nos permite uma mais ou menos serena e civil e interessante convivência. Qualquer iniciativa que qualquer administração de sociedade humana empreenda, para proteger, conservar, mostrar, ensinar o patrimônio cultural existente, é preciosa, devida, abençoada. Mas em si, isso, não é suficiente.
Não é suficiente porque existe também aquela outra categoria de cultura, ou seja, a cultura que se verifica AGORA, a cultura que não só mantém, mas prossegue agora, nestes anos, nestes dias, neste mesmo momento, aquele caminho evolutivo que a humanidade desde sempre percorre incessante. Neste aspecto, a cultura é instável, ignota, raramente reconhecida enquanto tal; ela é viva tanto quanto e mais do que a vida humana, pois é dela que a vida humana — como a entendemos — surge, e não vice-versa. Esta cultura em transformação é instável e cria instabilidade no presente, mas é uma instabilidade fecunda, pois está construindo a estabilidade do futuro. Neste aspecto a cultura não costuma ser reconhecida enquanto tal, até quando não se tenha conseguido circunscrevê-la e compreendê-la, ou seja, até quando ela não tenha cessado de evoluir, tornando-se finalmente o estável fóssil de si mesma. Uma administração madura de uma sociedade humana incentiva e sustenta este segundo aspecto da cultura não menos do que celebra e reforça o primeiro.
A primeira categoria de cultura que definimos é a expressão da influência estabilizadora do passado sobre o nosso presente.
A segunda categoria de cultura que definimos é a expressão da ação criativa e transformadora e evolutiva do futuro sobre o nosso presente.
Não devemos fechar os olhos diante do passado, nem diante do futuro. Esta pode ser a suma síntese que resume em extrema simplicidade a dissertação abstrata que acabamos de concluir.
Mas é indubitavelmente mais fácil e confortável desequilibrar a própria atenção para a contemplação do passado, em vez daquela do futuro. Este desequilíbrio, em si não é mau, mas é causa de um aumento de inércia no processo da evolução. Há contingências, nas quais tal inércia pode revelar-se inclusive fatal. É bom que disso nos tornemos conscientes.

O PROBLEMA DE GÊNOVA

Gênova hoje, indubitavelmente sofre por causa de uma inércia desta categoria. É palpável, em Gênova, um difuso cansaço em imaginar um futuro melhor para quem reside nesta de resto admirável cidade. Muitos fenômenos objetivos, como por exemplo a bem conhecida «fuga de cérebros», confirmam esta sensação. Antes que econômico, antes que industrial, antes que turístico, o problema de Gênova é portanto de tipo cultural, sendo a cultura, na sua mais ampla acepção, a essência mesma do espírito de um povo.
Com isso, nada se quer tirar ao sublime valor da cultura consolidada desta cidade. Gênova tem uma história grandiosa e tradições excelsas. Tem uma grande cultura do próprio passado, e é bom que seja assim. Mas em termos de cultura do futuro, de plasticidade de adaptação aos contextos mutáveis, a inércia predomina.
Contra tal estéril inércia, hoje, nós devemos nos mover. Devemos fazer valer, sobre as nossas vidas, pela nossa cidade, a influência do futuro tanto quanto e mais do que a do passado. É a cultura dinâmica, a cultura em transformação que, sobre as bases da cultura afirmada e consolidada, cria a nova realidade, e ao criar a nova realidade resolve os novos problemas. Todo progresso, toda evolução traz consigo de fato a carga de novos problemas, os quais podem ser enfrentados e resolvidos só com uma nova invenção, só com um novo passo adiante da cultura humana.
Encontramo-nos hoje, em Gênova, a enfrentar o mal-estar consequente de uma insuficiente habilidade da cidade de se colocar de modo criativo diante dos novos problemas gerados pela sociedade moderna. O mundo, que no tempo em que Gênova dominou era vasto e fragmentado, hoje é pequeno e mais unitário. Vivemos numa Aldeia Global, como já décadas atrás McLuhan definiu a sociedade moderna. E é uma Aldeia Global maravilhosa e terrível, que oferece muito a quem queira e saiba fazer parte dela com a força da criatividade, mas que ao contrário marginaliza impiedosamente quem não saiba se propor a ela com a indispensável e condizente brilhante visibilidade.
Recentemente, apareceu no New York Times um robusto encarte sobre a nossa cidade, que enalteceu os esplendores que nós bem conhecemos. No mesmo artigo evidenciava-se porém, com uma certa consternação, aquilo que nenhum de nós pode negar, ou seja, que Gênova, ainda hoje, faz bem pouco para não dizer nada, em relação ao que deveria fazer, para tornar as próprias graças visíveis ao mundo, para ter plena e frutífera cidadania na Aldeia Global.
Houve talvez um tempo em que, para construir um ótimo presente, a uma cidade como Gênova bastava o próprio passado. Hoje já não é assim. Para construir o presente melhor que todos nós almejamos construir — e é para isso, quero esperar, que ritualmente nos reencontramos neste plenário — hoje é imperativo sacudir as nossas consciências para que voltem energicamente a sua atenção ao futuro, e do futuro tirem as novas ideias, a nova cultura e a nova força que são necessárias para criar aquela nova realidade, aquele novo e melhor presente que em palavras todos dizemos desejar.

UM GRANDE CONGRESSO SOBRE O FUTURO E SOBRE A FICÇÃO CIENTÍFICA

Por isso é de extrema importância que se realize já um projeto concreto e visionário. Propusemos, nesta moção, que a junta se comprometa a encontrar, entre todos os órgãos, as instituições e as associações locais, as forças capazes de organizar em Gênova um grande congresso centrado no futuro e na literatura e cinematografia de ficção científica.
Vejam, a ficção científica, sobretudo na sua veste literária, mais do que qualquer outro produto intelectual deste século, é a expressão da acentuada sensibilidade do ser humano em relação às transformações revolucionárias que o progresso dispensa à nossa sociedade e à nossa vida cotidiana. A ficção científica nasceu apenas no final do século passado. Até então o progresso procedera com relativa lentidão, e em geral parecia pouco razoável, sobretudo para as pessoas comuns, imaginar que ele pudesse transformar radicalmente o futuro. A ficção científica nasceu, e depois cresceu e cresceu e cresceu, por todo este século, porque cada vez mais pessoas descobriram no gesto de imaginar o futuro aquela força que gera um novo presente. Todos sabemos que Júlio Verne narrou da viagem à lua mais de meio século antes que isso acontecesse. Mas a ficção científica narrou também das bombas atômicas antes da segunda guerra mundial, supôs os buracos negros antes dos cientistas, viu e previu milhares dos incríveis milagres técnicos que são hoje realidade, antecipou em lustros e décadas o debate ético em relação a alguns deles. Quando em 1933 Aldous Huxley escreveu «Admirável Mundo Novo», narrou da televisão em cada casa, do obsessivo martelar publicitário, dos fármacos tranquilizantes. Era ficção científica. Hoje é crônica.
Imaginar um futuro diferente. Isto é o que faz a ficção científica. Isto é o que se propõe Gênova para dar-se uma realidade mais condizente com o contexto mundial de hoje e futuro.

UM SINAL IMPORTANTE

A organização em Gênova de um grande congresso centrado no futuro e na ficção científica seria um sinal fecundo e importante, tanto dentro quanto fora da cidade. Traria a Gênova alguns dos mais significativos escritores do mundo, cuja contribuição de discussão forneceria um potente estímulo de confronto e reflexão para a nossa cultura. Atrairia entusiastas de toda a Itália, com imediatos retornos positivos de ordem turística. Além disso, abriria a Gênova concretas oportunidades adicionais a mais longo prazo.

OS CONGRESSOS DE FICÇÃO CIENTÍFICA NO MUNDO

Porque vejam, congressos de ficção científica não são uma novidade, no mundo. Os primeiros encontros foram organizados nos Estados Unidos, meio século atrás. Eram esporádicos, e frequentados por poucas dezenas de pessoas. Uma delas se chamava Isaac Asimov. Talvez alguém já o tenha ouvido nomear. Mas ao longo dos anos estes encontros cresceram em número e em grandeza. Hoje, em cada nação onde a ficção científica seja difundida, realiza-se ao menos um congresso anual, e em cada continente, ao menos um congresso continental. Se Gênova se mostrasse capaz de organizar um bom congresso, e eu estou certo de que isso seja possível, não seria difícil, num dos próximos anos, obter a atribuição do congresso europeu, e repetir a experiência com potencializada eficácia e utilidade.

UMA EXPO DO FUTURÍVEL PARA O NOVO MILÊNIO

E por fim… não sei vocês, mas eu gosto de sonhar. Não sou o primeiro, e com certeza não serei o último. E eu não vejo justamente por que no futuro, talvez no início do próximo milênio, Gênova não possa mostrar-se à altura de obter inclusive a atribuição do congresso mundial. Porque… vejam: a mudança de milênio não é um evento frequente, pelos nossos parâmetros. A mudança de milênio é um momento tópico na história da humanidade. E o início do terceiro milênio que se aproxima é um momento crucial, imprescindível e ideal para lançar-se num majestoso balanço dos acontecimentos ocorridos e lançar as fundações da história futura. Eis então que um tal congresso mundial em Gênova, na aurora do terceiro milênio, ultrapassaria as margens já vastas da ficção científica, oferecendo-se ao mundo como sítio ideal de uma mais abrangente Expo do Futurível, uma ocasião única no mundo e grandiosa para um encontro e um confronto extrapolativo sobre os futuríveis urbanísticos, tecnológicos, ecológicos e sociais, onde se poderá tentar uma síntese holística dos problemas da humanidade, repropondo assim energicamente Gênova entre as cidades vivas do mundo.

O CONGRESSO MUNDIAL DE FICÇÃO CIENTÍFICA NA EUROPA

Este ano o congresso mundial realizou-se na Escócia. Cinco anos atrás realizou-se na Holanda. Poucos anos antes aportou outras duas vezes na Europa, respectivamente na Alemanha e na Inglaterra. Não vejo justamente por que não se possa fazê-lo chegar também à Itália, e então, por que não a Gênova? Tenha-se em conta que um congresso mundial atrai, só da América, de 5 a 10.000 participantes. É supérfluo mencionar as vantagens de uma tal eventualidade.

GÊNOVA CAPITAL DO FUTURO

Mas enquanto esperamos que o sonho de fazer de Gênova por um ano a Capital Mundial do Futuro adquira substância, voltemos com os pés no chão. Gênova Capital do Futuro deve proceder por etapas. Estamos certos de que esta junta poderá encontrar, entre todas as forças que agem nesta cidade, aquelas capazes de dar forma e corpo a tal intenção, e estamos convencidos de que deva fazê-lo. Entre todas as prioridades da cidade, aquela de enfrentar o futuro face a face, chamando-o pelo nome, explorando-o publicamente, parece-nos de não desprezível urgência.
Não sei vocês, mas a mim, aos meus ouvidos, «Gênova Capital do Futuro» soa melhor do que «Gênova Escrava do Passado».

Roberto Quaglia, 1996


Ilustríssimo Prefeito
do Município de Gênova

MOÇÃO

O Conselho Municipal de Gênova

constatado que

- a cidade de Gênova manifesta, desde tempos imemoriais, por razões históricas, uma atitude geral de fechamento para o exterior, atitude que em tempos modernos resulta causa de precisos sofrimentos para a própria cidade, tais como uma evidente dificuldade de tornar-se sujeito de iniciativas aptas a atrair a atenção nacional e internacional, assim privando-se, entre outras coisas, da oportunidade de finalmente ver o turismo florescer e consequentemente o próprio bem-estar crescer

- tal disposição de fechamento, na época presente e ainda mais naquela futura, é, e cada vez mais será, incompatível com um mundo que a aumentada eficiência dos sistemas de comunicação torna necessariamente «aberto», mundo que McLuhan, já algumas décadas atrás, não por acaso batizou de «Aldeia Global»

- como resulta de pronunciamentos repetidamente expressos pela maioria das forças políticas genovesas bem como pelo programa do prefeito e por numerosas intervenções verbais públicas suas, a cidade de Gênova tem intenção de superar tal própria disposição de fechamento e mostra vontade de ver-se renascer, recuperando aquele seu lugar no mundo que um tempo lhe valeu o apelido de «Soberba»

reconhecido que

- o motor de toda mudança para melhor é o lúcido exercício da atividade mental, e que tal função no ser humano é o resultado daquela importante categoria de fenômenos que conferem significado à melhor acepção do vocábulo «cultura», e que portanto é em primeira instância uma viva atividade cultural o instrumento irrenunciável para alcançar todos aqueles objetivos de «abertura mental» e de abertura ao mundo e ao Novo em geral, indispensáveis para desencadear aquela revitalizante mudança para melhor que a cidade mais do que nunca no passado hoje felizmente almeja

considerado que

- Gênova, mais do que qualquer outra grande cidade italiana , padece uma profunda crise ligada à dramática deterioração, na mente dos seus cidadãos, das expectativas quanto a um futuro favorável, condição que causa o bem conhecido e demonstrado fenômeno da «fuga de cérebros» para paragens mais promissoras, privando Gênova, para o presente mas sobretudo para o futuro, daqueles indivíduos brilhantes de que ela tem e terá vital necessidade

- a sobredita condição psicológica de muitos genoveses de não conseguirem imaginar um futuro favorável é a principal causa do fenômeno do mal-estar juvenil e em particular das toxicodependências, fenômeno este no qual Gênova lidera na Itália (enquanto a Itália lidera na Europa)

- pelas considerações sobreditas é a reconstrução de um imaginário positivo quanto ao nosso comum futuro a óbvia e incontestável via principal para opor-se ao progressivo degrado psicológico e consequente mal-estar juvenil e não só juvenil

- para fornecer aos cidadãos oportunidades de desenvolver em si um imaginário positivo quanto ao futuro é logicamente de se considerar positiva qualquer iniciativa apta a voltar, antes de tudo, a atenção pública para o futuro, e que por tal motivo resulta com certeza estrategicamente mais útil organizar manifestações centradas na imaginação do futuro em vez de, por exemplo, na mera celebração do passado

apurado que

- existe no mundo, já há mais de um século, um campo literário inteiramente voltado à especulação acerca das transformações que o progresso infligirá sobre a vida humana no futuro, e que tal literatura é universalmente rotulada com o termo inglês de «science fiction» (=«narrativa de ciência»), que tal campo literário está constantemente em crescimento em todo o mundo, seja em quantidade de escritores, seja de leitores, a demonstração de uma crescente necessidade e paixão dos seres humanos em voltar os seus pensamentos para os mistérios e as incógnitas que o futuro oculta

- a importância de tal campo literário é demonstrada pela criação, em importantes universidades dos Estados Unidos, do curso de graduação em science fiction , bem como pelas consultorias que o Pentágono regularmente solicita aos mais importantes escritores de ficção científica, bem como pela recente atribuição, por parte da NASA, da Medalha por Altos Méritos Públicos ao célebre escritor de ficção científica Arthur C. Clarke

- tal campo literário é apenas o fulcro e o coração de uma mais vasta ativação de interesse nas pessoas pelos temas do futuro e do futurível, fenômeno que se observa notando o crescente sucesso de produções cinematográficas e televisivas de ficção científica e a sua consequente proliferação numérica, bem como o surgimento de verdadeiros fenômenos de costume correlatos

- o campo da ficção científica gerou e gera personalidades de particular envergadura e notoriedade, e citamos os exemplos de Isaac Asimov e William Gibson, bem como afirma, no campo cinematográfico, os marcos do imaginário coletivo, e citamos os exemplos de «2001: Uma Odisseia no Espaço» e «Blade Runner»

- existe no mundo uma verdadeira comunidade organizada de entusiastas de ficção científica, estendida por toda a Europa, nas Américas, na Ásia e na Austrália, a qual organiza anualmente um congresso mundial, um congresso continental em cada continente bem como congressos nacionais e locais em todos os países

- a predita comunidade organizada de entusiastas de ficção científica está em constante aumento há cinquenta anos, como em constante aumento resultam ser as participações numéricas nos preditos congressos, os quais alcançam frequentemente os milhares de inscritos, e que tal crescimento está fatalmente destinado a acelerar no próximo futuro em virtude dos novos potentes meios de comunicação representados pelas redes informáticas (a Internet à frente) às quais a grande parte dos entusiastas de ficção científica já está conectada ou o estará em breve

avaliado que

- a organização em Gênova de um congresso centrado no estudo do futuro, e em particular na literatura e cinematografia de ficção científica, seria fortemente vantajosa para a cidade por múltiplos motivos: pois antes de tudo representaria um forte e claro sinal de uma precisa vontade da cidade de olhar para o futuro com renovada e revigorada confiança; pois ofereceria aos cidadãos o estímulo e a ocasião prática de abrir-se a uma área de pensamento — a imaginação do futuro e das implicações ligadas ao progresso da ciência — útil e necessária para manter-se a par do desenvolvimento intelectual do mundo; pois atrairia a Gênova entusiastas de ficção científica de toda a Itália e também do exterior, com óbvias positivas repercussões de ordem turística e econômica, tanto de curto quanto de longo prazo; pois restituiria à atenção e à avaliação nacional e internacional uma imagem de Gênova fortemente positiva

- nenhuma administração de grande cidade italiana se colocou até agora como objetivo a organização de um tal congresso, e que portanto Gênova seria, nesse sentido, a primeira na Itália, papel que acentuaria a importância da manifestação e que amplificaria a publicidade positiva que daí derivaria

- o bom êxito de um tal congresso estabeleceria a quase certeza de poder fazer atribuir a Gênova, num dos próximos anos, a organização do Congresso Europeu, estabelecendo além disso a possibilidade, não demasiado remota, de poder fazer atribuir a Gênova, na próxima década, o Congresso Mundial

- todas as maiores editoras italianas, especializadas em literatura de ficção científica, já se disseram interessadas em colaborar e participar de uma tal manifestação

- o particular caráter de um tal gênero de manifestação presta-se particularmente a encontrar eco em todos os meios de comunicação de massa, garantindo especialmente aquele retorno de imagem de que já se falou

- Gênova está já há anos, nas intenções expressas, olhando para o futuro com a esperança de um relançamento da própria imagem, aos próprios olhos e aos do mundo, esperança sempre viva e vívida embora marcada por uma atávica atitude ao resmungo estéril e pela decepção ritual quanto às numerosas ocasiões perdidas no passado, atitude histórica que agora se diz pronta a derrotar

- os proponentes comprometem-se a colocar à disposição da junta as competências em próprio poder, para favorecer o melhor planejamento possível de tal manifestação

compromete o prefeito e a junta

- a empenhar-se diligentemente para encontrar entre os órgãos públicos, a Universidade, as editoras e as associações, as forças capazes de organizar, em Gênova, uma grande manifestação centrada na imaginação e no estudo do futuro, na literatura e cinematografia de ficção científica e em tudo o mais que tenha pertinência com o tema, a realizar-se possivelmente dentro do prazo máximo de um ano

- a providenciar para que na referida manifestação seja previsto um aspecto congressual, onde se possam realizar debates de notável envergadura intelectual, e um aspecto espetacular, que valha como motivo de forte atração e ressonância

- a providenciar para que sejam estabelecidos contatos com significativas personalidades, nacionais e internacionais, competentes nas matérias pertinentes ao tema, a fim de assegurar a sua participação no evento

- a avaliar a possibilidade de uma cooperação com um ou mais cineclubes da cidade, no que se refere ao aspecto cinematográfico da manifestação

- a estudar toda possível modalidade de tornar a manifestação também um evento televisivo a nível nacional, a fim de garantir a Gênova a máxima visibilidade no cenário nacional, iniciando desde já contatos nesse sentido com os responsáveis das principais redes de televisão italianas

- a empenhar-se a fim de assegurar a colaboração de Província e Região e para encontrar patrocínios para a manifestação, de modo a onerar o menos possível o orçamento municipal

- a manter constantemente informado o Conselho Municipal acerca do prosseguimento da organização de tal manifestação, levando eventualmente à Comissão o projeto nas suas várias fases

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Última modificação, 23 de outubro de 2003

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